Imaturidade de sempre

O tempo passa e a classe política do Rio Grande do Norte não aprende. Pelo contrário, insiste no erro. E a qual erro estou me referindo? O de insistir nas picuinhas políticas, interesses pessoais e deixar de lado as ações em favor do Estado.
E olhe que temos muitos fatos para mostrar isso. O Rio Grande do Norte demorou mais de dez anos em idas e vindas para ter o aeroporto de São Gonçalo do Amarante. A construção do trecho da BR-110 ligando Mossoró a Upanema se arrastou por décadas e perdemos a refinaria no meio da década passada por falta de infraestrutura.
Mossoró precisa de um novo aeroporto desde os anos 1990, mas nada funciona. Vez por outra o assunto volta aos píncaros da glória com uma solução milagrosa para logo em seguida cair no esquecimento. Se alguém aloca recursos para a obra quem deveria fazer o projeto faz de conta que não tem um cavalo selado passando à sua frente.
A união de nossa classe política é mero consenso retórico. Coisa do tipo "sou a favor de melhorias na educação, saúde e segurança". São obviedades tipo "vamos unir a classe política do Estado" ou "nós estamos unidos em favor do Rio Grande do Norte". Na prática não é isso que vemos. Não me recordo de ver, por exemplo, a deputada federal Fátima Bezerra (PT) ajudando o deputado federal Felipe Maia (DEM) a liberar uma emenda do parlamentar demista.
Não sei se isso nunca aconteceu porque Felipe não a procurou para pedir ajuda ou se ela nunca se ofereceu para facilitar o acesso. Talvez, e é o mais provável, as duas coisas nunca aconteceram.
Toda vez que algum gestor toma posse conclama toda classe política a se unir. Na prática isso não acontece. Após os discursos é cada um por si. A oposição aponta as falhas e cobra soluções. O gestor se faz de vítima de perseguição e acusa os opositores de não ajudarem em nada. Que tal sair da briga menor e o gestor ter a iniciativa de pedir ajuda para algum projeto? Ou a oposição perguntar se o gestor quer ajuda?
O problema é que o temor de o adversário se capitalizar às suas custas é muito maior do que a vontade de ajudar a população. Como é politicamente incorreto admitir isso, a classe política potiguar usa esse discurso dissociado da realidade. O resultado são as perdas que nós já estamos acostumados a ter. O maior penalizado é o povo que fica à margem assistindo obviedade saindo da boca dos políticos. Pior: obviedades que não passam de mera retórica. Retórica pobre, diga-se.
Enquanto o povo seguir omisso será assim. O político faz apenas o que lhe é conveniente e ninguém percebe.
Fonte: Jornal O Mossoroense

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