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Em 1980, o jornal Diário de Natal já chamava a atenção do Rio Grande do Norte para uma grave carência vivida por Upanema. Em matéria publicada o periódico estampava o título “Upanema protesta contra falta até de hospital”, denunciando que, mesmo com uma população em torno de 10 mil habitantes, o município não dispunha de sequer uma unidade hospitalar para atender às necessidades básicas da população. A ausência de um hospital era apontada, à época, como um dos maiores símbolos da precariedade dos serviços públicos locais.
Quase meio século depois, esse antigo clamor popular começa, enfim, a se transformar em realidade.
Nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, a Prefeitura de Upanema, sob a gestão do prefeito Renan Mendonça Fernandes (PP), assina a ordem de serviço para o início das obras do primeiro hospital municipal da cidade, um marco histórico para o município e para gerações de upanemenses que cresceram ouvindo falar da necessidade urgente dessa estrutura.
A solenidade está marcada para as 16h, e o hospital será construído na rua José Lopes, no espaço onde funcionava a antiga sede do CAPS. A unidade deverá ofertar serviços de urgência e emergência, além da realização de cirurgias eletivas, representando um salto significativo na assistência à saúde pública local.
A obra será executada pela empresa F Dois Engenharia Ltda, sediada em Natal, vencedora do processo licitatório. O investimento total é de R$ 6.285.947,00, com a maior parte dos recursos provenientes do próprio Município, complementados por verba do Ministério da Saúde, intermediada pelo deputado federal João Maia (PP).
O contraste entre a manchete de 1980 e a assinatura da ordem de serviço em 2026 evidencia o quanto essa conquista é carregada de significado histórico. São 46 anos separando a denúncia pública da efetiva resposta do poder público, demonstrando que, embora tardio, o sonho coletivo de um hospital em Upanema começa a sair do papel.
Ao concretizar esse passo decisivo, a atual gestão inscreve seu nome na história do município, atendendo a uma reivindicação antiga e legítima da população. A assinatura da ordem de serviço representa mais do que o início de uma obra: simboliza a superação de uma das maiores lacunas estruturais de Upanema.
Ao final, fica o reconhecimento e os parabéns à gestão do prefeito Renan Mendonça Fernandes, que transforma um antigo protesto em política pública concreta, reafirmando o compromisso com a saúde, a dignidade e o futuro do povo upanemense.
P.s. É importante registrar que a matéria possui um tom claramente crítico e alinhado a setores de oposição à gestão municipal da época, o que era comum no debate político travado pelas páginas da imprensa. Ainda assim, o viés adotado não diminui o mérito da cobrança feita, uma vez que a ausência de um hospital representava, como de fato representou por décadas, uma demanda legítima e urgente da população upanemense.
DIÁRIO DE NATAL. Upanema protesta contra falta até de hospital. Natal, 26 nov. 1980, p. 6.
